O que pode acontecer com a raiva que sinto? Por que sinto raiva?

( Psicologa Especialista Samira Falcão)

“O ódio paralisa a vida; o amor a mobiliza. O ódio perturba a vida; o amor a harmoniza. O ódio escurece a vida; o amor a ilumina”

Martin Luther King Junior

A raiva está associada a um temperamento agressivamente de reação. De acordo com uma estimativa, 20% dos infartos do miocárdio fatais ocorrem em resposta a um ataque de raiva. Emoções negativas podem ser tão perigosas para o coração quanto fumar, ter uma dieta com teores altos de gordura ou a obesidade.

Brigas com familiares foram às causas de raiva mais frequentes, seguidas por conflitos no trabalho e problemas legais. A raiva que gera o ataque cardíaco pode ter sido precedida por incontáveis episódios desse tipo, refletindo um padrão mal adaptativo de enfrentamento do estresse, que foi desenvolvido ao longo da vida.

A raiva que não se manifesta pode ser tão perigosa para a saúde quanto aquela que é demonstrada. James Pennebaker (1992) desenvolveu uma teoria, baseada na ideia de que conter os próprios pensamentos ou sentimentos requer um trabalho que, com o passar do tempo, resulta em níveis baixos de estresse, e os quais podem criar ou exacerbar doenças.

raivaAs consequências de “passar raiva” e ser uma pessoa que “ tem raiva” pode ser grave. A forma com que lidamos com isso que vai determinar uma vida melhor.

Adultos hostis têm vidas mais estressantes e níveis baixos de apoio social, e com o passar do tempo exerce efeito tóxico sobre a saúde cardiovascular. Pesquisadores verificam que conflitos familiares, desemprego, isolamento social e estresse ligado ao trabalho estão relacionados com risco maior de doenças cardiovasculares.

click here justify;">AMBIENTE DE TRABALHO: o ambiente de trabalho pode ser uma importante fonte de satisfação ou estresse, pois empregos associados a muita exigência de produtividade, carga excessiva de horas extras e demandas conflitavas, acompanhados de pouco controle pessoal, tendem a ser especialmente estressante. Empregos que exigem habilidade e treinamento podem promover doença coronariana, especialmente entre trabalhadores hostis e apressados.

APOIO SOCIAL: o estresse que acompanha o isolamento social e os sentimentos de subordinação são fatores de risco para doenças coronarianas (pacientes que não eram casados e não tinham com quem compartilhar suas preocupações mais intimas tinham três vezes mais probabilidade de morrer nos cinco anos seguintes do que pacientes que tinham um confidente).

REDES SOCIAIS: o fato de ter uma rede social confiável também proporciona proteção contra a morte por doença coronariana.

Pessoas com pouco apoio podem não se cuidar tanto quanto aquelas que têm alguém para lembrá-las de fazer exercícios, comer com moderação ou tomar remédios.

A hostilidade e a raiva também estão relacionadas com o consumo excessivo de álcool e cafeína, com maior consumo de gordura e calorias, com colesterol elevado, com pouca atividade física, com aumento da massa corporal, com hipertensão, com problemas para dormir e com falta de adesão a regimes médicos.

Muitos pesquisadores acreditam que o estresse, a hostilidade e a raiva agem lentamente durante alguns anos até prejudicarem as artérias e o coração. Quando liberamos a nossa raiva, nosso pulso acelera, o coração bate com mais força, o sangue coagula mais rapidamente.

A terapia cognitiva comportamental vai trabalhar desenvolvendo os sentimentos, pensamentos e também a forma de lidar com o meio ambiente. Desenvolvendo principalmente habilidade de lidar com o problema